
Descrição
A hermenêutica do eu está equidistante da apologia do cogito e de sua destituição. Ricoeur considera que a filosofia da pessoa seja capaz de liberar as questões do sujeito dos falsos problemas, oriundos do substancialismo - a imutabilidade de um núcleo atemporal, a dispersão em impressões - como é visto em Nietzsche e Hume. A pessoa designa a si mesma no tempo como unidade narrativa de uma vida que reflete a dialética da coesão e da dispersão mediatizada pela trama. A dialética da mesmidade e da ipseidade é interna à constituição ontológica da pessoa. O instrumento dessa dialética é o estabelecimento da trama que se constitui tanto das ações como dos próprios personagens. Somos depositários de tudo que existiu, já foi pensado e criado. Tudo isso lateja em nós. É o passado que se faz presente. O nosso presente se desenrola através do aprimoramento do que já existe no atrito necessário entre os conceitos sedimentados à mesmidade e ao encontro com o espaço que clama por mudanças, a fim de corrigir os erros praticados e assimilação de novos conceitos, a ipseidade. A individualidade, ou a identidade narrativa, é um fenômeno complexo porque envolve dois tipos de identidade que não permitem ser reduzidas a uma única ideia.
Características
- Ano: 2026
- Autor: Jacira de Assis Souza
- Selo: Dialética
- ISBN: 9786528807413
- Páginas: 136
- Capa: Flexível
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